Instituto Superior Técnico

Núcleo de Arquivo

DJP – Duarte José Pacheco

 

Resumo da história biográfica

Duarte Pacheco ou Duarte José Pacheco, como por vezes também assinou, foi um dos filhos mais novos (4 filhos e 7 filhas) de Maria do Carmo Pacheco, doméstica, e de José Azevedo Pacheco, dirigente local do Partido Regenerador e Chefe da Repartição Concelhia das Finanças, nomeado Administrador do Concelho de Faro a partir de 1901, situação que impulsionou a mudança de residência de toda a família para essa mesma cidade.

Atesta o assento de batismo que Duarte Pacheco terá nascido no ano de 1899. Afirmava o próprio que nascera em 1900 e que o pároco, por engano, lhe atribuíra mais um ano de vida.

Após a morte da mãe em 1906 e do pai em 1914, ficou a cargo do irmão Humberto Pacheco que o preparou para o exame do 3º. ano do Liceu de Faro, como aluno externo.

Acalentando desde cedo o grande sonho “(…) de ir para Lisboa de capa e batina, frequentar a universidade, formar-se: ser homem ”, aos 17 anos rumava a Lisboa para o cumprir.

No ano letivo de 1917/18, com 17 anos, Duarte Pacheco, frequentava o 1º ano do curso geral de engenharia do Instituto Superior Técnico, tendo concluído o curso de engenharia electrotécnica em 1923.

Após a conclusão do curso, em 1923, Duarte Pacheco volta a ser referido na documentação do Instituto Superior Técnico, em 1925, aquando da sua integração no corpo docente da Escola, como professor interino na cadeira de Matemáticas Gerais.

Em 1927 o Conselho Escolar determinava por unanimidade a sua nomeação como Diretor do Instituto Superior Técnico. Num espaço de 10 anos Duarte Pacheco fora aluno, era professor e iniciava também um novo percurso: o de Diretor.

Entre Novembro de 1926 e Agosto de 1927, em acumulação com a regência da disciplina de Matemáticas, responsabilidade técnica e científica inerente a cada um dos professores com assento no Conselho, todas as questões burocráticas, de consultoria, delegação e comissão passaram a ser atribuídas por unanimidade a Duarte Pacheco.

Ciente da precariedade das instalações do IST, Duarte Pacheco afirmou que a situação não se poderia manter sob pena da Escola não progredir. Sendo a reforma do ensino uma forte convicção do Governo, Duarte Pacheco defende que a legitimação do discurso político somente se concretizaria na obra efetiva: a construção das novas instalações do Técnico.

Elevando o projeto das novas instalações a porta-estandarte das reformas materiais do ensino, em 1927 Duarte Pacheco conseguiu do Governo a publicação de decretos fundamentais ao arranque de uma obra estrutural: a construção do IST, em Lisboa – o primeiro campus universitário em Portugal. O projeto de construção do Técnico Novo, iniciado em 1927, sob a orientação de Duarte Pacheco, culminaria com a abertura das novas instalações sem qualquer inauguração, no ano letivo de 1936/37.

Em Abril de 1928, em sede de Ministério da Instrução Pública, implementaria a uma escala nacional, o mesmo programa que havia defendido na direção do IST. A Duarte Pacheco se devem as primeiras medidas de ação social no ensino, nomeadamente através da criação de residências estudantis e da atribuição de bolsas de investigação. Em 7 meses de mandato e com a publicação de 80 diplomas legais, Duarte Pacheco contribuiu de forma decisiva para a reforma material das construções escolares liceais, política que retomaria anos depois no Ministério das Obras Públicas e Comunicações, estendendo essa mesma ação às escolas primárias, profissionais e universitárias.

A 5 de Julho de 1932 Duarte Pacheco tomava posse como Ministro do Comércio e Comunicações. Dois dias depois passaria a Ministro das Obras Públicas e Comunicações.

A 30 de Setembro de 1932, o Diário do Governo publicava o plano do Ministro: os programas de melhoramentos urbanos, rurais e o abastecimento de águas e saneamento das povoações. Quando decretou o plano de ataque à escala regional, o MOPC decretou também a criação do Comissariado e do Fundo do Desemprego.

De janeiro de 1936 a maio de 1938 Duarte Pacheco seria afastado do poder político efectivo, mas para a efectivação do projecto das Comemorações Centenárias, tornava-se necessário chamá-lo de novo à cena política.

No período de tempo que Duarte Pacheco presidiu à Câmara Municipal Lisboa, entre janeiro e maio de 1938, os projetos do Parque Florestal de Monsanto, o desafogo da Torre de Belém pela transferência da Fábrica de Gás, os trabalhos de urbanização da área envolvente ao Palácio de S. Bento, o prolongamento da Avenida da Liberdade ou o desenho dos arruamentos e vias de ligação à autoestrada Lisboa-Cascais e Estrada Marginal, foram projetos trabalhados no domínio das atribuições camarárias.

Regressado ao MOPC, no dia 25 de maio de 1938, e num espaço de seis semanas, Duarte Pacheco abriria dois créditos para reforço de dotações orçamentais para as obras em curso e despesas de gabinete. Este segundo mandato ditaria um passo maior e definitivo: a concretização do plano de urbanização de Lisboa, plano esse em que a pressão de agenda do cumprimento da Exposição do Mundo Português serviria de álibi para o ordenamento do território.

Ao abrigo do decreto que permitia a expropriação por utilidade pública ao abrigo de doze obras inscritas no programa dos Centenários, entre 1938 e 1943, o Estado, protagonizado pelo seu ministro Duarte Pacheco, expropriou em Lisboa cerca de 1.300 hectares de terreno conseguindo assim as condições para a execução de um Plano de Urbanização da cidade.

No dia 16 de Novembro de 1943, pela manhã, Duarte Pacheco sairia de Lisboa com destino a Vila Viçosa para acompanhar as obras de execução da estátua de D. João IV. Da agenda do dia constava ainda a sua presença na reunião do Conselho de Ministros, em Lisboa, ao final da tarde. No lugar da Cova do Lagarto, entre Montemor-o-Novo e Vendas Novas, o veículo oficial que o conduzia a alta velocidade despistou-se e embateu num sobreiro. Na madrugada do dia 16 de Novembro, morreu no Hospital de Setúbal aquele que o Arquiteto Conttinelli Telmo designaria por “O Sonhador de Grandes Coisas”.

Datas extremas: 1900-2011

Condições de acesso: Documentos administrativos com regime de acesso generalizado e livre, no âmbito da legislação em vigor.

Fonte imediata de aquisição e de transferência: Documentação transferida a título provisório do Gabinete de Estudos Olisiponenses/Direção Municipal de Cultura/Câmara Municipal de Lisboa para o Instituto Superior Técnico, desde janeiro de 2011.

Projeto cofinanciado pela Fundação Calouste Gulbenkian no âmbito do concurso de recuperação, tratamento e organização do arquivo pessoal do Eng.º Duarte Pacheco, em parceria com a Câmara Municipal de Lisboa, Direção Municipal de Cultura, Gabinete de Estudos Olisiponenses. Foram objetivos gerais recuperar, tratar, organizar e preservar o património arquivístico de valor histórico-cultural do arquivo pessoal do Eng.º Duarte Pacheco, bem como promover a sua difusão e acesso ao cidadão, no contexto das novas tecnologias e da emergência da atual sociedade da informação que, cumulativamente, se encontra associado à extensão do fundo de arquivo do IST e às comemorações do seu centenário.

Mais info: /extensao-cultural-e-educativa/exposicoes-fisicas/duarte-pacheco-do-tecnico-ao-terreiro-do-paco/

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