Instituto Superior Técnico

Núcleo de Arquivo

Novos Espólios Documentais IST

Espólio pessoal e académico – Giovanni Costanzo (1874-1968)

O Espólio pessoal do Professor Giovanni Costanzo foi doado pela família ao IST, aquando do projecto de desenvolvimento do Museu do IST, iniciado em 1993, que nunca se veio a concluir. Vinte anos depois o Arquivo do Técnico recupera-o para iniciar uma intervenção que permita divulgar o mesmo on-line, construindo para isso diferentes Instrumentos de descrição documental quer seja através de um catálogo, índice, inventário ilustrado ou outros que se venham a definir.

Giovanni Costanzo, oriundo de Reggio Calabria, Itália, já havia sido docente no Instituto Industrial e Comercial de Lisboa e chegou até ao Técnico pelas mãos de Alfredo Bensaude (Director do IICL) aquando da criação do IST em 1911. Foi o primeiro professor responsável pelas cadeiras de “Física” e “Química física e Radio-actividade”, foi igualmente responsável pelo Laboratório Oficial de Radioatividade e pela Oficina de Instrumentos de Precisão, anexa à disciplina de Física.

O espólio, com o âmbito cronológico balizado entre 1898 e 1940, inicialmente composto por: correspondência, fotografias, cadernos manuscritos enquanto aluno e professor, sebentas manuscritas das aulas que ministrava, alguns periódicos com artigos científicos do próprio editados à época, assim como bibliografia, ganha uma maior expressão aquando do acréscimo, em junho de 2014, de objetos laboratoriais provenientes do laboratório particular que o Prof. Giovanni possuía em casa.

Assim, o conjunto documental identificado ficará sob a custódia do Núcleo de Arquivo do IST, os livros sob a custódia da Biblioteca Central do IST e os objectos laboratoriais sob a custódia do Núcleo de Gestão do Museu IST.

Espólio profissional – Álvaro Machado (1874-1944)

Tendo obtido vários prémios ao longo do seu percurso académico, Álvaro Augusto Lopes Machado inscreve-se aos treze anos no Instituto Industrial e Comercial de Lisboa, onde mais tarde vem a ser professor. Frequentou a Academia de Belas Artes de Lisboa onde em 1997 termina o curso de Arquitetura Civil com distinção.

Nascido em Lisboa a 20 de Julho de 1874 era filho de um dos maiores pintores e cenógrafos do seu tempo, também este aluno na Academia das Belas Artes no curso de Desenho. O projecto arquitetónico do edifício da Sociedade Portuguesa de Belas Artes foi cedido por este ilustre professor do Técnico tendo a sua inauguração ocorrido em 1913 .

Em 1911, aquando da criação do IST, é um dos sete professores do IICL convidados por Alfredo Bensaude para professor Ordinário na nova Escola e aí se mantém até 1934 quando pede reforma antecipada por desentendimentos com Duarte Pacheco a propósito das novas instalações do IST.

O espólio é constituído maioritariamente por desenhos a aguarela, em que foi exímio, livros técnicos e de arte, revistas e boletins, documentos profissionais (diplomas académicos e técnico-profissionais), documentação sobre concursos públicos, documentos pessoais biográficos, tais como: correspondência, recortes de imprensa coevos e póstumos e ainda fotografias.

Arquivo Virtual – Manuel Abreu Faro (1923-1999)

O Prof. Abreu Faro, Manuel José Castro Petrony de Abreu Faro, nasceu em Lisboa em 26 de Novembro de 1923 e faleceu em 22 de Maio de 1999. No âmbito da  sua Homenagem, a decorrer desde novembro de 2013, o Arquivo do Técnico foi convidado a integrar a iniciativa com o intuito de criar o “Arquivo Virtual Prof. Abreu Faro”. O arquivo virtual consiste  na reunião de toda a documentação que se sabe existente nos diferentes organismos onde o professor desempenhou papéis de relevância. Assim, o trabalho do Arquivo do Técnico incide, numa primeira fase, na pesquisa e investigação da documentação e seu tratamento arquivístico e, numa segunda fase, na preparação de uma exposição e/ou publicação que dará a conhecer ao público IST o espólio em si.

Existe ainda bastante documentação fotográfica na pertença da família que se somará à demais dispersa em diversas instituições, como são o caso do extinto Instituto de Alta Cultura, à guarda do Instituto Camões, da antiga Junta Nacional de Investigação Científica e Tecnológica, atual FCT (Fundação para a Ciência e Tecnologia), passando pelo antigo Ministério da Educação Nacional, onde o professor foi Subsecretário de Estado da Administração Escolar, e ainda pela Academia das Ciências de Lisboa que presidiu.

Licenciado em Engenharia Electrotécnica pelo IST, em 1948, foi em 1956 o primeiro catedrático da Escola na área de telecomunicações.

saiba mais sobre a efeméride: http://abreufaro.ist.utl.pt/

Espólio pessoal –  Domingos de Moura (1922-2005)

O Espólio Documental do Prof. Domingos Cruz Pereira de Moura, doado pela família ao IST , é composto por um conjunto documental muito pertinente para a História do Técnico na medida em que parte do mesmo contém Actas manuscritas, das reuniões do então Conselho Escolar do IST (atual Concelho de Gestão), no período compreendido entre 1972-1974 e que até à data não havia quaisquer registos, pelo que o atual conjunto virá colmatar, em parte, a informação em falta e que o Arquivo do Técnico tem vindo a recuperar nas pesquisas efectuadas desde 2011 no âmbito das Comemorações do Centenário do Técnico para a exposição “100 anos IST – dos Directores aos Presidentes”.

O Prof. Domingos Cruz Pereira Moura nasceu em Lisboa, a 14 de Novembro de 1922 onde veio a falecer a 29 de Outubro de 2005. Foi o primeiro Presidente do Conselho Científico do IST, após a sua criação em 1976. Convidado em 1952 pelo Prof. José Ferreira Dias, Pai da electrificação em Portugal, para Assistente do Instituto Superior Técnico, foi com muita alegria que aceitou o convite, tendo ascendido à posição de Professor Catedrático de “Produção e Transportes de Energia” em 1971. Foi coordenador do então Departamento de Produção e Transporte de Energia, o qual, após a criação do Departamento de Engenharia Electrotécnica e de Computadores (DEEC), deu lugar à Secção de Energia, designação de que foi o mentor.

Igualmente em 1976 foi Presidente do extinto IAC (Instituto de Alta Cultura), onde preparou a cisão do mesmo em duas instituições: o Instituto Nacional de Investigação Científica, atual FCT (Fundação para a Ciência e Tecnologia), e o Instituto de Cultura Portuguesa, atual Instituto Camões. Foi ainda vogal do Conselho Superior de Obras Públicas.

Em 1970 interveio com protagonismo na discussão pública em torno da eventual instalação de uma central nuclear em Portugal. No final da década de 80 do século XX desempenhou um papel de relevo na abertura do sector eléctrico à produção independente usando fontes renováveis. Foi ainda o primeiro delegado nacional dos programas comunitários de I&D na área de Energia, pouco depois da adesão de Portugal à Comunidade Europeia.

Já numa fase avançada da sua carreira, dedicou-se à produção de energia eléctrica a partir de fontes renováveis, tendo criado uma nova cadeira no IST – para a qual escreveu o texto “Novas Tecnologias para a Produção de Energia Eléctrica”.

Espólio científicopedagógico – Isabel Gago (1914-2012)

Isabel Maria Meleças Gago, morreu em 2012, a escassos dias de completar 98 anos, e dedicou toda a sua vida ao ensino no Instituto Superior Técnico. Foi das primeiras Engenheiras Químicas do país. Foi também a primeira mulher a assumir o papel de professora no Instituto Superior Técnico e ao nível nacional.

Após concluir a sua licenciatura permaneceu na Escola como professora assistente, seguindo a carreira de docente universitária até se aposentar em 1984, aos 70 anos.

Em 1952 o Professor Herculano de Carvalho é nomeado Presidente da Comissão de Estudos de Energia Nuclear e delega em Isabel Gago o encargo da docência teórica de Electroquímica.

O espólio que se divulga é composto sobretudo por apontamentos, trabalhos científicos, fotografias dos equipamentos e das aulas práticas em laboratório, manuscritos, inventário da instrumentação do Laboratório de Electroquímica que geriu, artigos científicos vários e ainda um memorandum sobre a Cadeira de Electroquímica-Electrometalurgia-Electrotermia, disciplina extinta em 1970, sobre a qual a Profª. Isabel Gago faz uma rigorosa resenha histórica com preciosos detalhes.